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sábado, 11 de julho de 2015

Criminóloga diz que não há dúvidas sobre autoria da morte de Rebeca

Fonte:blog Simone Duarte/ Postagem: Sátiro Coelho Ayres/
REBECAA criminóloga Ilana Casoy disse nesta sexta-feira (10) que não há dúvidas da autoria do homicídio da estudante Rebeca Cristina em João Pessoa, que completa quatro anos neste sábado (11). Ilana já trabalhou em casos como os dos assassinatos do casal Richthofen e da menina Isabella Nardoni e participa da investigação da morte de Rebeca há pouco mais de um ano.
A estudante Rebeca Cristina, de 15 anos, foi violentada e assassinada em 11 de julho de 2011, no trajeto entre a casa da família e o Colégio da Polícia Militar, em Mangabeira VIII, Zona Sul de João Pessoa. O corpo da estudante foi encontrado com diversos tiros em um matagal na Praia de Jacarapé, Litoral Sul da Paraíba, na tarde do mesmo dia do crime.
A Polícia Civil chegou a fazer um pedido de prisão preventiva de um homem indiciado no crime, mas o pedido foi negado pela Justiça, baseada em um parecer do Ministério Público, porque o DNA do suspeito não era compatível com o material encontrado no corpo. “Os indícios que pesam sobre o suspeito que a polícia sugeriu não estão coesos, nem seguros”, explicou a promotora Artemise Leal Silva. Ela explica também que novas diligências são necessárias para que os indícios de autoria sejam fortalecidos.
Ilana, no entanto, acredita que a investigação vai muito além do DNA. Ela observa que sempre que se pega “um caso que muita gente passou por ele, muitas pessoas já foram ouvidas, já existe um lapso de tempo, isso é uma grande dificuldade a ser superada”.
“A minha primeira preocupação é que as investigações ficaram voltadas para o DNA. O DNA em si, ele não é uma investigação, ele é um dado ao final da investigação. A polícia é necessária. Os exames, as provas, elas não eliminam nem diminuem o trabalho da polícia. O DNA é uma excelente prova quando ela ampara uma investigação”, disse.
Para a criminóloga, o trabalho da polícia é muito minucioso. “É um trabalho de formiga, de filtrar tudo que já tinha acontecido e começar praticamente tudo de novo até se chegar, como se chegou, a um suspeito. A gente acredita ter encontrado um dos autores desse crime”, declarou.
Mesmo com essa certeza, a Polícia Civil prefere não divulgar a identidade do suspeito por questões de segurança. “Um problema: ele está solto. O que é que eu faço? Como é que eu durmo?”, justificou Ilana.
Federalização
Em relação ao pedido de federalização do caso, solicitado pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos da Paraíba (CEDH-PB) na sexta-feira (3), o juiz titular do 1º Tribunal do Júri, Marcos William, explica que nem todo caso que não é desvendado merece federalização. Segundo ele, cabe ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidir.
“Como o incidente de federalização pode ser feito em qualquer fase do inquérito ou da ação penal. Tudo que disser respeito àquele processo que corria, a princípio, no âmbito da jurisdição atual passa a ser feito pela Polícia Federal ou pela Justiça Federal e também o julgamento. Ela se dá pela grave violação aos direitos humanos efetivamente e pela ausência do Estado em apurar ou permitir que esta lesão ao direito humano seja feita e fique impune”, explicou.
Para a integrante do CEDH, Laura Berquó, existe uma cautela excessiva na hora de divulgar quem é o suspeito. “Quantas jovens infelizmente são estupradas e mortas? E porque é no caso de Rebeca somente que a gente vê esta preocupação em se manter em segredo de justiça, em não se dizer à sociedade realmente o que foi que aconteceu?”, questionou.
“Nas investigações a gente percebe que há muito receio que há medo de se mexer com certas pessoas, uma cautela excessiva em ter provas contra determinadas pessoas, então na verdade isso aqui é um grito de justiça para que a gente pare, no Brasil e na Paraíba, de dizer: você é pobre, vai ser punido. Você é rico, você é influente, você é filho de alguém então você não vai responder pelo que faz”, declarou Laura.
Relembre o caso
Quatro anos depois do crime, a mãe de Rebeca, Tereza Cristina, explicou que é difícil falar da filha. “Eu ainda não me acostumei, ainda não vivenciei o luto, não tive este direito ainda porque tive que lutar por justiça”, comentou. “Quando chego em casa cansada do trabalho que abro minha porta e vejo esse sorriso [na foto de Rebeca] é como se ela dissesse ‘não desiste, mamãe, estou contigo’”
G1

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