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domingo, 18 de janeiro de 2015

Mulher adota animais em situação de abandono e maus-tratos há 8 anos

ONG e Centro de Zoonoses atentam para benefícios pessoais e coletivos.

Dona de casa moradora do bairro do Bessa já adotou oito cães da rua.

André ResendeDo G1 PB
Andréa Santos cuida de Mel e Scooby (Foto: Andréa Santos/Acervo pessoal)Andréa Santos cuida de Mel e Scooby
(Foto: Andréa Santos/Acervo pessoal)
Na contramão do comércio de animais domésticos, Andréa Santos, de 55 anos, adota cachorros em condição de abandono e maus-tratos há cerca de oito anos. Atualmente com dois cachorrinhos, Scooby e Mel, a moradora do bairro do Bessa, em João Pessoa, prefere acolher a comprar. Em quase uma década, a dona de casa conta que já adotou oito cachorros, alguns já idosos, outros doentes. Para ela, apesar do desafio, a maior recompensa é ter o carinho retribuído à medida que vão ficando saudáveis.
“Adoto por amor. Dá trabalho, mas vale a pena ver o amor que eles dão de volta para a gente. Muitas vezes eles entendem a gente mais que outras pessoas, nos dão atenção. Crio cachorros há muitos anos e nunca precisei recorrer à compra porque tem muito bichinho abandonado precisando de um lar, de cuidado”, relatou. Iniciativas como a de Andréa Santos têm ganhando destaque, principalmente nas redes sociais.
A ONG Adota João Pessoa é um dos aliados na promoção de campanhas de adoção de gatos e cães de rua. Com mais de 27 mil curtidas, a entidade divulga em sua página em uma rede socialanimais abandonados que muitas vezes não precisam só de um casa, mas de tratamento veterinário. Alick Farias, uma das idealizadoras da página, explica que o maior problema é encontrar lares temporários para os bichos que precisam de cuidados médicos.
Alick Farias, que também é uma das coordenadoras da ONG, ressalta ainda que todo o tratamento e alimentação dos animais encontrados na rua são custeados pela própria entidade, que depende exclusivamente de doações. “Contamos com seis clínicas parceiras. Mais uns 20 voluntários que trabalham ativamente cedendo suas casas ou participando dos bazares que a gente promove para arrecadas fundos. Mas a demanda é muito grande por conta da repercussão da página. Precisamos de mais ajuda”, comentou Alick.
A Adota João Pessoa tem um conta corrente apenas para receber contribuições financeira destinadas à compra de medicamentos, ração e pagamento de tratamentos veterinários. “É uma via de mão dupla. Retiramos animais das ruas, muitas vezes doentes, e entregamos animais saudáveis que vão dar atenção e carinho a quem adota”, completa. Ainda segundo a idealizadora da página, os veterinários parceiros facilitam as consultas, dando descontos e facilitando o pagamento, mas que o ideal era ter mais parceiros para atender a demanda.
Adoto por amor. Dá trabalho, mas vale a pena ver o amor que eles dão de volta para a gente."
Andréa Santos, que já adotou oito cachorros
Se pelo lado individual há benefícios, pelo coletivo não é diferente. O gerente do Centro de Vigilância Ambiental e Zoonoses de João Pessoa (Cvaz), Nilton Guedes, salienta que a adoção de animais de rua ajuda no controle populacional, reduz o número de acidentes causados por bichos, a mortalidade de gatos e cachorros, e o risco da proliferação de doenças tanto entre os próprios animais quanto na transmissão para humanos.
Nilton Guedes alerta, no entanto, que não adianta adotar o animal da rua e não realizar a castração. “Não é só retirar o animal da rua ou dar comida. Tem que fazer a esterilização, ajudar no controle de natalidade. O papel fundamental da adoção é fazer um controle populacional.  Não deixar que esses animais se reproduzam desordenadamente. Por isso oferecemos o serviço de esterilização gratuitamente no Centro de Zoonoses”, avaliou o gerente.

O serviço é exclusivo para moradores da capital paraibana. É preciso ir até o Cvaz, na Avenida Sérgio Guerra, no bairro dos Bancários, com um comprovante de residência, um documento de identidade, ser maior de idade e saber a faixa etária do animal. O Centro de Zoonoses também incentiva a adoção promovendo feiras em parceira com as ONG de proteção e defesa de animais.

Independente da raça, do tamanho ou da idade, Andréa Santos atenta que não existem diferenças quando se trata de carinho e atenção. "Minha filha veio me falar que queria um cachorrinho. Fui logo avisando que a gente ia encontrar um para ela. As pessoas ainda abandonam muitos animais na rua, principalmente quando estão velhos ou doentes. Já adotei bichinho cego, a maioria vira-lata, mas o amor não faz distinção", conclui a dona de casa. 

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