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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Condenados pela morte de filho de Cissa Guimarães são presos no Rio


Rafael Bussamra, o motorista, foi condenado a 7 anos de prisão. 
Seu pai, Roberto, recebeu pena de 8 anos. Os dois foram levados à 13ª DP.

Lívia TorresDo G1 Rio
Rafael de Souza Bussamra chega à delegacia (Foto: Lívia Torres / G1)Rafael de Souza Bussamra, de cinza, chega à delegacia (Foto: Lívia Torres / G1)
Rafael de Souza Bussamra, condenado pela morte do filho da atriz Cissa Guimarães, e seu pai, Roberto Bussamra, foram presos e conduzidos à 13ª DP (Copacabana). A Justiça do Rio condenou a dupla nesta sexta-feira (23).
Roberto Bussanra (Foto: Livia Torres/G1)Roberto Bussanra, de verde, chegou em outro carro
da polícia (Foto: Livia Torres/G1)
Rafael de Souza Bussamra dirigia o carro em área fechada para o trânsito e foi condenado a sete anos de prisão em regime fechado e mais cinco anos e nove meses em semiaberto. O pai dele, Roberto Bussamra, foi condenado a oito anos em regime fechado e nove meses em semiaberto, segundo o site do Tribunal de Justiça.
Em entrevista ao G1, Cissa disse que a sensação é de "paz" após a batalha pela punição. "Meu sentimento é um alívio, é uma paz que me dá depois de tanta luta, depois de tanta injustiça que eu e minha família vivemos. Demorou mas veio", desabafou, pedindo que o caso sirva como lição para motoristas. "Mais cuidado pelo amor de Deus. Rafael veio mostrar essa luz. É claro que para mim e para minha família é um dia especial, apesar de ser uma dor que não vai nunca embora."
O resultado da perícia no Siena deve ficar pronto na próxima quarta-feira. (Foto: Bernardo Tabak/G1)Siena que atropelou e matou Rafael (Foto:
Bernardo Tabak/G1)
Pai leva pena maior
Rafael foi condenado pelos crimes de corrupção ativa, homicídio culposo, inovação artificiosa em caso de acidente automobilístico, afastamento do local do acidente para fugir à responsabilidade penal e participação em competição automobilística não autorizada. Ele também teve a carteira de habilitação suspensa por quatro anos e meio.
Roberto foi sentenciado pelos crimes de corrupção ativa e inovação artificiosa em caso de acidente automobilístico. Na sentença, o juiz Guilherme Schilling destacou a atitude do pai em corromper os policiais militares numa tentativa de acobertar o filho.
“O caso vertente retrata não apenas policiais que acobertam e omitem o crime (sendo, por isso, também criminosos), mas também os falsos pais que superprotegem os filhos criando pessoas socialmente desajustadas. Impõe-se uma reflexão sobre o tipo de sociedade que pretendemos para as futuras gerações ou, mais ainda, que tipo de cidadãos somos. Afinal é essa uma das dificuldades atuais da humanidade no plano da ética. De nada vale o Estado reconhecer a dignidade da pessoa se a conduta de cada indivíduo não se pautar por ela”, relata o magistrado.

O juiz disse ainda que o comportamento "malicioso" dos réus foi decisivo para a sentença. “O que se observa é um comportamento reprovável e malicioso dos réus, que através de uma enxurrada de inverdades buscaram não somente eximirem-se da responsabilidade penal, mas na realidade transferi-la com maior peso a outras pessoas. Percebe-se uma verdadeira degradação de valores morais em uma família de classe média, que talvez por mero individualismo, ou abraçando uma cultura brasileira de tolerar exceções, tende a apontar os erros dos outros, e colocando um verdadeiro véu sobre seus erros”, assinala o juiz.
Rafael e Cissa (Foto: Reprodução / TV Globo)Rafael Mascarenhas e Cissa Guimarães (Foto:
Reprodução / TV Globo)
Relembre o caso
Rafael Mascarenhas foi atropelado na noite do dia 20 de julho de 2010, por um motorista que circulava em uma pista interditada, no sentido Gávea. A vítima foi socorrida ainda com vida e levada para o hospital Miguel Couto, na Gávea. De acordo com a secretaria, Mascarenhas chegou à unidade com politraumatismos na cabeça, no tórax, nos braços e nas pernas. Ele chegou a ser operado, mas não resistiu.
De acordo com a 15ª DP (Gávea), que investigou o caso, Rafael andava de skate no túnel, que estava interditado para a passagens de veículos naquela noite. Segundo a CET-Rio, a pista ficou fechada ao tráfego de 1h10 às 4h10.
Rafael de Souza Bussamra, acusado da morte de Rafael Mascarenhas alegou, em sua defesa, não ter percebido que o Túnel Zuzu Angel, na Zona Sul do Rio, onde ocorreu o acidente, estava interditado naquele dia. Rafael acrescentou que, momentos antes da colisão, seu carro estava emparelhado com o veículo de um colega e, por isso, não conseguiu parar a tempo.
Homenagem a Rafael  Mascarenhas - Cissa Guimarães (Foto: Rodrigo Vianna / G1)Homenagem a Rafael Mascarenhas (Foto:
Rodrigo Vianna / G1)
Suborno
Após o atropelamento, Bussamra contou que policiais o retiraram do túnel e o conduziram ao bairro do Jardim Botânico.Os PMs, segundo o réu, se encontraram no local com o pai dele, Roberto Martins. Roberto admitiu que pagou R$ 1 mil de propina a dois PMs do 23° BPM (Leblon), que teriam pedido R$ 10 mil para desfazer o local do acidente e evitar a prisão em flagrante do motorista.
Na sentença desta sexta-feira, o juiz Guilherme Schilling destacou a atitude do pai em corromper os policiais militares numa tentativa de acobertar o filho.
"O caso vertente retrata não apenas policiais que acobertam e omitem o crime (sendo, por isso, também criminosos), mas também os falsos pais que superprotegem os filhos criando pessoas socialmente desajustadas. Impõe-se uma reflexão sobre o tipo de sociedade que pretendemos para as futuras gerações ou, mais ainda, que tipo de cidadãos somos. Afinal é essa uma das dificuldades atuais da humanidade no plano da ética. De nada vale o Estado reconhecer a dignidade da pessoa se a conduta de cada indivíduo não se pautar por ela”, relata o magistrado.

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