sábado, 31 de maio de 2014

PB já registra oito mortes maternas

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Rizemberg Felipe
Eventodiscutiu assistência obstetrícia da Paraíba, promovido pela Promotoria da Saúde, em João Pessoa
Este ano, oito mulheres morreram durante o parto na Paraíba e o número corresponde a 20% do total de casos registrados em 2013, quando 40 mulheres perderam a vida ao dar a luz.
Segundo o Ministério Público Estadual (MPPB) e o Conselho Regional de Medicina (CRM-PB), as mortes maternas registradas no Estado podem estar relacionadas à falta de assistência na Atenção Básica e falhas no atendimento hospitalar, como falta de profissionais e leitos obstétricos ociosos. As informações foram divulgadas ontem, em evento que discutiu a assistência obstetrícia da Paraíba, promovido pela Promotoria da Saúde, em João Pessoa.
De acordo com a responsável pela Rede Cegonha na Paraíba, Maria de Fátima Moraes, os óbitos registrados este ano ocorreram nos municípios de João Pessoa (3), Campina Grande (2), Patos (2) e Sousa (1). Segundo ela, a hipertensão, hemorragia e infecções ou complicações em decorrência de aborto estão entre os principais fatores que levam à morte das puérperas. Outro fator considerado preocupante pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) são os partos cesarianos. De acordo com Maria de Fátima, do total de 40.083 partos realizados no Estado, 18.648 foram cesarianos e 21.435 foram partos naturais.
“Uma das ações que trabalhamos no Rede Cegonha é tentar diminuir o número de cesarianas que também são fatores de risco para a morte materna”, acrescentou a representante da SES. As estatísticas de morte materna no Estado foram consideradas preocupantes pelo MP e CRM, que apontaram falhas no atendimento da atenção básica no pré-natal.
“A problemática é o pré-natal, que não é feito com qualidade, e a própria assistência na Atenção Básica com as mães é falha.
Em alguns casos, a mãe não sabe onde vai parir. Isso tem que está regulado para que sejam garantidos os direitos delas”, frisou a coordenadora das Promotorias da Saúde do MPPB, Adriana Amorim.
Os problemas na Atenção Básica de Saúde, que devem ser prestada pelos municípios, também foram lembrados pelo diretor de fiscalização do CRM-PB, Eurípedes Mendonça.
Segundo ele, há postos de saúde que não possuem a quantidade de tensiômetros exigida pelo Ministério da Saúde (MS). “Esse pré-natal não garante o mínimo de três consultas, como recomendado pelo MS. A lei diz que a mulher já deveria saber onde será seu parto e isso não existe. Na rede pública, a mulher passa por quatro ou cinco médicos e na hora do nascimento do bebê, é colocada em uma ambulância e levada para a cidade mais próxima ou onde tiver vaga”.
O presidente da Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup), José Antônio Vasconcelos da Costa, Tota Guedes, disse que desconhece as denúncias do CRM-PB.
“Quem mais investe em saúde no Brasil são os municípios, com 19,7% dos recursos, sendo que a Constituição diz que eles são apenas obrigados a investir até 15%”, diz. “Porém, a grande realidade é que os municípios de pequeno porte não tem estrutura financeira para bancar um hospital porque não têm ajuda do governo federal”, diz.

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