terça-feira, 25 de março de 2014

MP investiga professores que reforçam discriminação de gays em escola, na Capital

Eles obrigaram alunos do 8º ano escreveram 300 vezes a frase “Não devo chamar meu amigo de viado, pois acho que o viado sou eu”
Emprego e Educação | Em 25/03/14 às 08h23, atualizado em 25/03/14 às 08h45 | Por Jornal Correio/Ainoã Geminiano
Reprodução/Jornal Correio/Diego Nóbrega
MP apura castigo escolar em JP
O Ministério Público do Estado (MP) vai investigar o castigo aplicado por dois professores da Escola Municipal David Trindade, no bairro de Mangabeira, na Capital, contra um grupo de cinco alunos do 8º ano.
Após xingarem um colega com um termo preconceituoso contra homossexuais, eles foram obrigados a escrever 300 vezes nos próprios cadernos a frase “Não devo chamar meu amigo de viado, pois acho que o viado sou eu”. O fato foi recebido com indignação pela promotora da Educação, Ana Raquel Beltrão, que classificou a atitude dos professores como crime de injúria, ato discriminatório, não educativo e não pedagógico, que reforça o preconceito. Representantes da Secretaria de Educação do município, diretores da escola e os professores envolvidos serão convocados a prestar esclarecimentos no MPE.
Ontem, a mãe de um dos alunos, um garoto de 13 anos, disse que o filho não estava mais querendo ir ao colégio e ela insistiu para saber o motivo, até que ele contou. Revoltada, Luzinete Cordeiro foi à escola ontem à tarde e não gostou do que ouviu das educadoras. “A diretora e a professora disseram que era uma forma de educar e que não foi para ofender os alunos. Quer dizer que eles não podem xingar o amiguinho mas podem xingar a eles próprios?”, desabafou.
MP apura castigo escolar em JP
Foto: MP apura castigo escolar em JP
Créditos: Reprodução/Jornal Correio/Diego Nóbrega
Reincidência

O castigo antiquado não é novidade nas aulas da professora denunciada. Segundo Luzinete, a filha de 11 anos já foi punida em situação parecida: “Um dia minha filha foi tomar água e a professora obrigou ela escrever 50 vezes ‘Devo esperar o professor na sala de aula’”.

Promotora vê crime de injúria

Dois professores são acusados do abuso. A promotora Ana Raquel disse que vai abrir uma investigação e que, da forma como foi denunciado o fato, está caracterizado crime de injúria, previsto no Código Penal Brasileiro. A pena prevista é de um a três anos de reclusão, acrescido do agravante de abuso de poder, pelo fato de ter sido praticado por alguém que exerce autoridade sobre a pessoa ofendida, em virtude do cargo que ocupa. “É um caso que pode demandar processo administrativo, para apurar a infração do servido; um processo penal, para apurar o crime contra a honra, e um processo cível, para prover uma indenização por danos morais em favor dos alunos”, explicou.

Um comentário:

  1. a professora não fez nada demais...só acho que educação vem de casa e se essa mãe não educa seus filhos é obrigação da escola educar, eu apoio as medidas tomadas, pois desde sempre os professores falam para trazerem garrafas de água, bom senhorita Luzinete Cordeiro só acho que você não deveria passar a mão na cabeças dos seus filhos mesmo sabendo que eles estão errados..sou aluna tenho os meus direitos e apoio todas as medidas tomadas..

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