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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Dilma acusa Temer de 'conspiração'; para PMDB, ela 'perdeu o equilíbrio'

Em discurso, presidente chamou áudio vazado do vice de 'farsa'.

Presidente em exercício do PMDB afirma que fala de Dilma é 'ultrapassada'.

Do G1, em Brasília
O discurso em que a presidente Dilma Rousseff acusou o vice Michel Temer e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de "chefes da conspiração" e "chefes do golpe"provocou reações no PMDB e entre aliados do governo
Em discurso durante evento com educadores e representantes estudantis nesta terça-feira (12), no Palácio do Planalto, Dilma atacou Temer pela gravação de um áudio em que o vice-presidente fala como se o impeachment tivesse sido aprovado e como se ele fosse assumir o cargo de presidente.
"Não sei direito qual é o chefe e qual é o vice-chefe. Um deles é a mão, não tão invisível assim, que conduz com desvio de poder e abusos inimagináveis o processo de impeachment. O outro, esfrega as mãos e ensaia a farsa do vazamento de um pretenso discurso de posse", disse Dilma.
A presidente se disse "chocada" com a "desfaçatez" do vazamento da gravação. Segundo ela, na gravação, "um dos chefes da conspiração assume a condição de presidente da República". Para ela, o áudio "revela traição a mim e à democracia".
Temer não comentou a fala de Dilma, mas o presidente em exercício do PMDB, senador  Romero Jucá (RR), respondeu ao discurso dizendo que a presidente “está perdendo o equilíbro”.
“Eu lamento que a presidente Dilma esteja perdendo a serenidade e esteja tentando culpar outras pessoas pelo desacerto do seu próprio governo. Se a presidente Dilma quer procurar pessoas que atrapalharam o governo deve olhar para dentro do governo. Não é o presidente Michel Temer, não é nenhum membro do Congresso que está fazendo uma ação deliberada. Eu lamento que ela esteja perdendo o equilíbrio”, afirmou Jucá.
Cunha
Ao contrário de Temer, Cunha reagiu ao discurso de Dilma: “Eu só posso dizer o seguinte: se alguma conspiração existe, ela só pode ser do povo. Não será nunca da nossa parte”, afirmou na tarde desta terça-feira. Rompido com Dilma, ele conduz o processo do impeachment na Câmara
“Nós estamos comprometidos, única e exclusivamente, com o respeito à Constituição, à lei e ao regimento da Casa. O que me parece que [isso] está sendo contestado com relação a ela porque existe a acusação, que vai ser decidida a abertura ou não do processo, justamente por isso, por descumprir a Constituição e descumprir a lei", afirmou Cunha.
"Então, eu não posso me considerar enquadrado porque estou comprometido é com o cumprimento [da lei]. Seria ótimo que também fosse esse o propósito dela”, disse.

Também na Câmara, o deputado Alceu Moreira (PMDB-RS) subiu à tribuna para defender o vice Michel Temer e afirmar que o áudio vazado na segunda-feira mostra que ele está se preparando para o caso de assumir o governo. Segundo o parlamentar, Temer é quem tem "condição de dar paz às pessoas, de abrir espaço livre para que a cidadania se manifeste com coerência".

"O que está fazendo Michel Temer? Prevenindo-se, pois, se tiver que assumir o governo, está pronto para assumir, com propostas claras, com ministros acima de qualquer suspeita, com um governo de travessia, um governo de conciliação nacional", completou o deputado.
'Conspirador-geral'
Líder do governo do Senado, Humberto Costa (PT-PE) defendeu a presidente no plenário nesta terça e chamou Temer de “conspirador-geral da República”.
“O áudio que se deu a conhecer [...] é de uma infâmia inominável. Tenha sido circulado intencionalmente ou por acidente, esse discurso escancara a fórmula absolutamente desleal e mesquinha com que o vice-presidente tem agido nas sombras, tramando a derrubada de Dilma, alguém que por duas vezes foi sua companheira de chapa", afirmou Costa.
"É a evidência, se é que alguém precisava de mais alguma, de que temos um conspirador geral da República instalado ao lado do Palácio do Planalto”, declarou o senador.
Assim como Dilma, Costa criticou o relatório aprovado na comissão especial do impeachment, que chamou de “verdadeira aberração jurídica”.
“Assistimos a Câmara dos Deputados dar mais um passo rumo ao lamaçal que seu presidenteEduardo Cunha tem conduzido”, afirmou, acrescentando que não se surpreendeu com a aprovação do documento.
Também na tribuna do Senado, o senador Jorge Viana (PT-AC), vice-presidente da Casa, disse que o áudio de Temer caracteriza “crime de conspiração” do PMDB.
“Óbvio que eu pretendo falar sobre o vazamento do ‘discurso de posse’ do vice-presidente Michel Temer, que procurou sentar na cadeira presidencial antes mesmo de o Congresso Nacional deliberar sobre o impedimento da presidente da República Dilma Rousseff. Isso sim pode caracterizar um crime de conspiração”, disse Viana.
O petista também disse que Temer é o “subchefe do golpe”, comandado, segundo ele, por Cunha.

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