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sábado, 27 de fevereiro de 2016

PB teve 129 casos de calazar em 2015; falta de tratamento pode matar em 90% deles

Jovem é natural do município de Diamante, no Sertão paraibano. De acordo com o infectologista Francisco Bernardino, a doença é considerada endêmica na Paraíba e o tratamento pode durar até um mês

Saúde | Em 27/02/16 às 09h11, atualizado em 27/02/16 às 09h15 | Por Halan Azevedo
Reprodução/CDC/Frank Collins/James Gathany
Mosquito-palha, vetor trasmissor da leishmaniose
Um jovem de 24 anos foi internado no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HU), em João Pessoa, após contrair a leishmaniose visceral, conhecida como calazar, uma doença que afeta cachorros e é transmitida ao ser humano através da picada do mosquito-palha. Se não tratada, a doença causa a morte do paciente em 90% dos casos. De acordo com a Saúde do Estado, 129 casos foram registrados em 2015. Veja orientações abaixo.


O jovem é natural do município de Diamante, no Sertão paraibano, a 452 km de João Pessoa. Ele teria sentido os sintomas da doença, que são febre prolongada, fraqueza e perda de peso, e procurado atendimento em unidades de saúde de Diamante.

Na Capital, o jovem foi internado no HU, onde passa por tratamento para tentar se recuperar da doença.

Ao Portal Correio, o médico infectologista Francisco Bernardino contou que a leishmaniose possui dois tipos, a leishmaniose visceral, que é a forma mais letal, e a leishmaniose cutânea, forma mais branda da doença.

Segundo o infectologista, as duas formas da leishmaniose são consideradas endêmicas na Paraíba e diversos casos estão sendo atendidos na HU da Capital.

“A doença é endêmica no estado, tanto na forma cutânea como na forma visceral, e sempre temos casos de pacientes internados para a realização de tratamento. O mosquito pica um animal infestado e ao picar o ser humano transmite a doença. Na forma mais amena, a leishmaniose cutânea, o paciente apresenta manifestações na pele ou mucosas. São lesões que aparecem sem identificações anteriores. Mesmo não sendo a forma mais grave, é necessário o tratamento”, contou o médico.

Ainda segundo o infectologista, na leishmaniose visceral, mais grave, o paciente apresenta comprometimento de diversos órgãos e pode morrer caso não receba tratamento adequado, passando por um período de internação que pode chegar a mês.

“Na visceral o paciente tem o comprometimento do fígado, baço, do sistema imunológico e da medula óssea. O tratamento é feito em regime hospitalar com utilização de medicamentos de uso parental. A evolução do caso depende muito do paciente e do medicamento usado. Temos casos em que o tempo de internação chegou perto dos 30 dias. É importante frisar que se não for tratado o paciente pode evoluir a óbito”, afirmou o infectologista.

Dados na Paraíba

A Secretaria de Saúde da Paraíba informou que o Estado registrou 129 casos de leishmaniose em 2015, sendo 44 da forma visceral e 85 da forma cutânea, com sete mortes registradas, ambas em pacientes contaminados pela leishmaniose visceral.

Os municípios com mais números de casos foram: Alagoa Grande, com 28 casos de leishmaniose cutânea e um de leishmaniose visceral; Matinhas, com oito casos de leishmaniose cutânea; Areia, com sete casos de leishmaniose cutânea; Lagoa Seca, com seis casos de leishmaniose cutânea; e Campina Grande e Cajazeiras, com quatro casos de leishmaniose visceral cada uma.

Os casos registrados de morte por leishmaniose aconteceram nos municípios de Boa Vista; Cajazeiras; João Pessoa; Mamanguape; Pitimbu; Santa Luzia; e Serra Branca, todos com uma morte registrada.

Em 2016, os dados da Saúde do Estado registraram, até o dia 13 deste mês, 11 casos de leishmaniose cutânea e três de leishmaniose visceral.

Como evitar a doença

De acordo com a secretaria de Saúde do Estado, a manutenção de jardins, realização de podas e retiradas de entulhos são alguns dos cuidados que devem ser realizados pelos paraibanos para evitar a proliferação do mosquito-palha, vetor que contamina o ser humano com o parasita da leishmaniose.

Além disso, a Saúde também orienta a limpeza de quintais; retirada e condicionamento em sacos plásticos das folhas e frutas caídas ao solo; evitar a criação de aves em áreas urbanas; e manter madeiras sobre estrados com altura mínima de 40 centímetros do solo.

O bom condicionamento sanitário dos cachorros e do ambiente em que ele vive também é um dos fatores listados para evitar a proliferação do mosquito e da doença.

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