piemonte fm

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O Nordeste de Jackson do Pandeiro e Alceu Valença


Jackson do Pandeiro conquistou inúmeras plateias com sua ginga especial no palco, uma mistura de malandro carioca com raízes nordestinas. Nascido em Alagoa Grande, na Paraíba, o artista atendia pelo nome de José Gomes Filho antes de se tornar o mais importante ritmista do Brasil. Seu caminho na música começou aos 17 anos, quando largou o antigo emprego para se tornar baterista do Clube Ipiranga. Em 1939, já formava dupla com José Lacerda, irmão mais velho de Genival Lacerda. Sua alcunha era Jack do Pandeiro. A mudança para o nome que o consagrou só veio em 1948, quando o músico trabalhava na Rádio Jornal do Comércio do Recife e seu diretor sugeriu uma troca de Jack para Jackson, mais sonoro e impactante.
ghjj

Em 1953, com 35 anos, Jackson gravou o seu primeiro grande sucesso: Sebastiana, de Rosil Cavalcanti. Logo depois, emplacou outro grande hit: Forró em Limoeiro, rojão composto por Edgar Ferreira. No Rio de Janeiro,, trabalhando na Rádio Nacional, Jackson alcançou grande sucesso com O Canto da Ema, Chiclete com Banana, Um a Um e Xote de Copacabana. Os críticos ficavam encantados com sua facilidade em cantar os mais diversos gêneros musicais: do baião às marchinhas de carnaval, passando por samba-coco e rojão. Com 63 anos faleceu de embolia cerebral, em 10 de julho de 1982.


Assim como Jackson, Alceu Valença é outro grande talento gerado no nordeste do país. Nascido em uma pequena cidade do agreste pernambucano, Alceu cresceu ouvindo Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, além de Nelson Gonçalves, Ângela Maria e Cauby Peixoto. Criado em uma família de empresários e políticos, cursou Direito, mas nunca chegou a exercer a profissão. A música era o que o atraia. Por isso, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1970, onde participou do Festival Universitário da TV Tupi, com três músicas, uma delas em parceria com o seu amigo Geraldo Azevedo. Dessa convivência nasceu seu primeiro disco, Alceu Valença & Geraldo Azevedo, lançado pela Copacabana, em 1972, com arranjos do maestro Rogério Duprat.


Com a canção Vou Danado Pra Catende, inspirada no poema O Trem das Alagoas, de Ascenso Ferreira, provocou um choque na música brasileira, misturando toda a sua influência num produto final de gênero indefinível. O sucesso popular chegou aos 30 anos de idade, com vários discos, shows e uma bem sucedida excursão pela Europa, onde gravou na França um disco ainda inédito no Brasil. Seguiram-se, na década seguinte, vários discos, como Espelho Cristalino (1977); Coração Bobo (1980), Cavalo de Pau (1982), Anjo Avesso (1983), entre outros.


Os últimos dez anos da sua obra se caracterizam pela maturidade do compositor e do intérprete. Ele funde ritmos tipicamente nordestinos com sons universais, como fado, rock e mesmo música oriental. Não há como rotulá-lo, mas sua música é inegavelmente brasileira, com um sabor reconhecidamente nordestino.


Com EBC

Nenhum comentário:

Postar um comentário