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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Reitoria e grevistas afirmam que UFCG só tem recursos para se manter até outubro

Reitor informou que solicitou crédito adicional de R$ 12 milhões ao Ministério da Educação para garantir os pagamentos de novembro e dezembro e evitar um acúmulo de dívida para 2016

Emprego e Educação | Em 12/08/15 às 07h03, atualizado em 12/08/15 às 07h04 | Por Gustavo Medeiros
Reprodução / Senado.gov
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
Devido aos diversos cortes que ocorrem atualmente em vários setores da economia brasileira, os atuais repasses do governo federal à Universidade Federal de Campina Grande só oferecem recursos suficientes para sustentar as despesas rotineiras da instituição até o mês de outubro de 2015. A situação foi transmitida ao comando de greve pelo próprio reitor, Edilson Amorim. De acordo com os servidores paralisados, ele os informou, em uma audiência, que a redução de gastos atinge 10% dos cerca de R$ 60 milhões em verbas de custeio e 50% dos cerca de R$ 40 milhões de investimento, totalizando o valor aproximado de R$26 milhões.



“Comunicamos a situação ao MEC e solicitamos crédito adicional na ordem de R$ 12 milhões”, disse o reitor, informando que o valor solicitado seria suficiente para garantir os pagamentos de novembro e dezembro, evitando que seja acumulada uma dívida para 2016.

Em entrevista ao Portal Correio, Edilson Amorim falou sobre três vertentes da gestão financeira no serviço público federal as quais tem que lidar. Uma delas é referente às verbas de custeio, que se relacionam às despesas de rotina da universidade, com água, luz, telefone, combustível, diárias, passagens, pagamento de terceirizados, bolsas e assistência/permanência estudantil. Segundo o reitor, são justamente estes gastos que estão comprometidos nos dois últimos meses de 2015.

Outro setor citado por Amorim é o que diz respeito às verbas para investimentos em obras e equipamentos. “Houve corte de 50% nessa verba. No entanto, não tivemos comprometimento maior porque não licitamos nenhuma obra nova neste ano”, contou o professor, acrescentando que a instituição acaba ficando limitada na execução de possíveis novas iniciativas.

A terceira parte a qual fez referência corresponde à folha de pagamento de professores e servidores em geral. O reitor informou que não há carência de recursos neste segmento. 

Questionado sobre a atual greve, que foi mantida pelos professores da UFCG após rejeitarem proposta do governo federal, Edilson Amorim disse que, apesar do que foi divulgado pelo comando de greve, ele não é contrário ao movimento, mas contesta que o fato aconteça no atual momento econômico pelo qual o Brasil passa.

“É uma interpretação equívoca de quem pensa que sou contrário à greve. A pauta é justa. O conselho universitário, inclusive, aprovou moção de apoio ao movimento. Porém, do ponto de vista conjuntural, a greve não seria a melhor opção para reivindicações salariais com a atual situação do país”, concluiu o reitor.
Nesta quarta-feira (12), os professores da UFCG se reúnem em assembleia nos campi de Campina Grande, Sumé, Cuité e Pombal. A reunião tem como objetivo definir estratégias de negociação da pauta da greve nacional dos docentes de universidades federais. A categoria também deve discutir resoluções de progressão e promoção e cortes orçamentários na instituição.
Os professores da UFCG estão em greve desde o dia 25 de junho e reivindicam a reestruturação da carreira, melhores condições de trabalho e garantia da autonomia da instituição,  além de ajuste salaria para efetivos e aposentados. 

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