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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Brasil não perde investimentos com reclassificação, diz Nelson Barbosa

Moody´s baixou nota brasileira, mas mudou perspectiva para estável.

Ministro do Planejamento diz que ajuste tem impacto sobre PIB e inflação.

Alexandro MartelloDo G1, em Brasília
O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Barbosa, avaliou nesta terça-feira (11) que a decisão da agência de classificação de risco Moody´s de baixar a nota brasileira de de "Baa2" para "Baa3", o nível mais baixo dentro do chamado "grau de investimento", mas mudando a perspectiva do rating do país de negativa para estável, não traz perda de investimentos para o Brasil.
alguns resultados já apareceram: elevação do saldo comercial e redução das expectativas de inflação"
Nelson Barbosa, ministro do Planejamento
"Estamos trabalhando para melhorar a condição econômica e social do Brasil. Estamos numa fase de ajuste que tem impacto não só sobre o crescimento como na inflação", declarou o ministro Nelson Barbosa por meio do microblog Twitter, acrescentando que o governo está trabalhando sempre em iniciativas para recuperar mais rapidamente o nível de atividade.
Mais cedo, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, também comentou o corte da nota do Brasil. "A declaração da Moody's explica exatamente os pontos que ela achou relevante. É uma declaração bastante detalhada, transparente e que eu acho que dá a indicação das prioridades que a gente tem que ter com relação a manter a qualidade da nossa dívida pública", disse ao deixar o Ministério da Fazenda nesta tarde.

Segundo a Moody's, um dos motivos para o rebaixamento foi a performance mais fraca que o esperado da economia, a tendência de gastos mais elevados do governo e a falta de consenso político sobre as reformas fiscais.

Como justificativa para a perspectiva estável do rating, a agência destacou que, na sua visão, o Brasil possui a capacidade de atingir a reviravolta necessária no desempenho de crescimento e fiscal.

A avaliação de risco é um sistema de nota desenvolvido por agências de análise de riscos para alertar os investidores de todo o mundo sobre os perigos do mercado ou da empresa que eles escolhem para aplicar seu dinheiro. Entenda como funciona.
Também nesta terça, a Moody's informou quedecidiu manter a nota da Petrobras em "Ba2" (abaixo do grau de investimento, na categoria de especulação) e a perspectiva estável.

'Fase temporária'
Segundo Barbosa, apesar de o governo terbaixado recentemente a meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública, esforço que permite uma trajetória mais favorável para a dívida pública), o governo está trabalhando para recuperar a capacidade de produzir resultados primários mais elevados de forma sustentável.
Ainda de acordo com o ministro do Planejamento, a expectativa de inflação para o próximo ano já é bem melhor do que a desse ano. A previsão do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, está em 9,32% para este ano (a mais alta desde 2002), acima do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação, e em  5,43% para 2016.
"À medida que os resultados aparecerem, vão garantir uma avaliação favorável ao Brasil por parte de investidores. É um processo de construção gradual. A economia atravessa uma fase temporária de redução do nível da atividade. A nossa trajetória fiscal é sustentável e consistente com a estabilização e a redução da dívida pública”, declarou o ministro.
De acordo com sua avaliação, a "recuperação do crescimento, além do nível elevado de reservas internacionais, dá solidez para a economia”. “Também garante a estabilidade fiscal e monetária e isso preserva o investidor. Alguns resultados já apareceram: elevação do saldo comercial e redução das expectativas de inflação”, acrescentou.
Nelson Barbosa disse ainda que o governo está conversando com o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, esta semana sobre iniciativas estruturais propostas por ele. "Parte está sendo adotadas pelo governo, outras vamos avaliar", afirmou ele.
Classificações das agências de risco (Foto: Editoria de Arte/G1)

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