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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Ainda penso que estou sonhando', diz mãe de fotógrafo morto em acidente

Alexandre Severo morreu no mesmo acidente que matou Eduardo Campos.

Família do fotógrafo diz que não tem pressa pelo resultado da investigação.

Do G1 PB
Fotógrafo Alexandre Severo (dir.) com a família em foto de 2013 (Foto: Patrícia Gomes/Arquivo Pessoal)Fotógrafo Alexandre Severo (dir.) com a família em foto de
2013 (Foto: Patrícia Gomes/Arquivo Pessoal)
“Eu ainda penso que estou sonhando, que vou ver ele na porta de casa com a câmera na mão”, declarou a mãe do fotógrafo Alexandre Severo Gomes e Silva, Rita Gomes e Silva, um ano depois da morte do filho. Alexandre morreu no mesmo acidente de avião`que vitimou o candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, que completa um ano nesta quinta-feira (13). Ele havia sido contratado para acompanhar o ex-governador de Pernambuco durante a campanha.
O acidente que matou Eduardo Campos aconteceu em Santos (SP), na manhã do dia 13 de agosto de 2014  e mais seis pessoas morreram nele. Além do candidato à presidência e do fotógrafo, o piloto Marcos Martins, o copiloto Geraldo Magela, o fotógrafo Macelo Lyra, o jornalista Carlos Percol e o assessor Pedro Valadares também morreram. O jato particular que os levava até a cidade caiu sobre um bairro residencial. Chovia no momento da queda.
Para Rita, viver sem a presença do filho é difícil, mas a família precisa continuar vivendo. “A gente tem que se conformar e viver a nossa vida. Um dia a gente se encontra em qualquer lugar porque, segundo a minha fé, a gente vai se encontrar mesmo que seja por alguns segundos. Ele com certeza está bem, afinal ele era bom, honesto, bom amigo”, disse.
A morte de Alexandre também afetou os mais novos da família. “Minha neta pergunta ‘vó, cadê tio Xancho?’. Eu digo que ele está no céu e ele vai para a varanda, olhar para o céu, procurando ele”, relatou Rita sobre a sobrinha do fotógrafo, que tem 4 anos.
Patrícia Gomes, irmã de Alexandre, também comentou que o filho dela, de 9 anos, desenvolveu medo de viajar de avião e que a família teve que fazer um “tratamento de choque” para que ele aceitasse viajar quando foi necessário. “Eu disse que era melhor a família toda morrer abraçada do que ele ficar só. Então ele aceitou. Temos outra viagem programada para o final do ano e ele já está querendo ir porque eu disse que todo mundo ia”, contou.
Na terça-feira (11), a família celebrou umamissa em memória ao fotógrafo na Igreja de São José dos Manguinhos, no Recife. Na época do acidente, Alexandre morava em São Paulo por conta do mercado de trabalho. A família, que é de Pernambuco, reside na Paraíba há seis anos.
Fotógrafo premiado
Formado pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e com pós-graduação em fotografia na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Severo acumulou, desde 2002, importantes trabalhos e prêmios. No Recife, ele passou pelas redações do Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco e Folha de Pernambuco.
Em 2009, ele recebeu menção honrosa no prêmio Wladimir Herzog pelo ensaio "À Flor da Pele", que retratava a história de três irmãos albinos nascidos em uma família de negros em Olinda, Grande Recife.
A família acompanha as investigações do acidente, mas sem ansiedade. “A gente, por enquanto, não tem muita expectativa. Já concluímos uma investigação que fizemos em paralelo e o Cenipa [Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos] disse que vai tomar como base. A gente não tem pressa, a gente quer que o trabalho seja bem feito”, afirmou Patrícia.
Velório de Alexandre Severo, fotógrafo da campanha de Eduardo Campos (Foto: Reprodução / TV Globo)Velório de Alexandre Severo, fotógrafo da campanha
de Eduardo Campos (Foto: Reprodução / TV Globo)
A esposa de Marcos Martins, piloto que também morreu no acidente, elaborou e enviou uma carta para o Cenipa e para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Com a ajuda de consultores, Flávia Martins alega que as aeronaves da família Cessna 560 Citation EXCEL (XL, XLS, XLS +) apresentam uma falha de previsão no projeto, mais precisamente nos estabilizadores horizontais.
“Eu, particularmente, nunca gostei de voar. Principalmente depois que tive filho. E eu sempre transmiti isso pro Alexandre. Quando ele começou a me dizer que ia de jatinho, eu reclamava. Mas ele dizia que era muito seguro, que não tinha perigo. Ele não tinha o mínimo medo, mas quando ele dizia que ia, eu ficava apavorada”, relatou Patrícia.

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