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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Gonzaga Rodrigues valoriza monumento 150 anos e elogia Campina pela preservação da memória

FONTE:SIMONE OLIVEIRA/POSTAGEM : SÁTIRO COELHO AYRES

jumentoO memorial  do sesquicentenário de Campina Grande, que está sendo concluído às margens do Açude Novo, algumas vezes objeto de equivocadas criticas de alguns refratários à preservação da memória, acaba de ser objeto de uma avaliação altamente positiva do veterano jornalista Gonzaga Rodrigues, membro da Academia de Letras da Paraíba e memorialista respeitado na Imprensa paraibana.
Sob o titulo “Tropeiros da Borborema”, em artigo no espaço nobre da edição do ultimo dia 20 do Jornal da Paraíba, Gonzaga, que é natural de Alagoa Nova e estudou em Campina Grande, não entra no aspecto estético ou conceito da obra, mas destaca a valorização histórica do monumento, na continuidade da saga e preservação da autoestima do campinense. A seguir, o artigo do mestre do jornalismo viajando na história para contextual Campina Grande:
“Às margens do açude velho, Campina Grande está nos retoques finais no memorial aos Tropeiros da Borborema. É um monumento à sua história e, mais ainda à autoestima do seu povo. Ao orgulho de ser campinense. À determinação de criar, construir e honrar o adjetivo do topônimo, ajudem ou não a natureza do solo, a distância da corte ou de outras formas de poder. Ergue-se no lugar próprio, à margem oeste do Açude Velho, onde os tropeiros, transposto o rebordo oriental da serra, apascentavam o cansaço e a sede das boiadas.
O que despontou de longe como refrigério físico dos tangedores de rebanhos e de comércio, quase dois séculos depois descobre-se como surpresa emocional aos excursionistas de um Congresso Internacional de Geografia de 1951.
Está nos anais, registrados por Mário Lacerda de Melo: “Para quem, depois de atravessar a vasta porção da hinterlândia do Nordeste, os olhos habituados com (…) o rosário de cidadezinhas quietas e paradas do mundo da caatinga, onde uma exceção só aparece de longe em longe;para quem chega ao agreste da Paraíba depois de viajar por todo o sertão dos Cariris
Velhos, é uma grande surpresa encontrar Campina  Grande, de uma enorme vitalidade”. O excerto não é de Lacerda, nosso vizinho pernambucano, é de Nice Lecocq Muller, geógrafa habituada a outras grandezas.
Não é menor o deslumbramento de Aziz Ab Saber,  o cientista que os ambientalistas do mundo inteiro guardam as lições e a memória. Antônio Mangabeira, um sindicalista que vivia de conluio com a poesia de  livro e a popular, serviu de guia aos excursionistas e  colocou Ab Saber numa roda de lojistas árabes e judeus que o espírito campinense obrou o milagre de ajuntar.
Mas o melhor testemunho, como um dos precursores da história da Paraíba e benfeitor de Campina, ainda é, a meu ver, o de Irenêu  Joffily. Ele cantou o jogo num tempo em que mediam força e tamanho as feiras de Itabaiana e Campina Grande. Mais próxima do litoral, de  vizinhança com as fábricas do açúcar, cortada pelo trem, a feira de Itabaiana prenunciava  mais futuro. Entretanto sofria, mais de perto, as oscilações do açúcar.
Mais do que os bens de troca , da riqueza de intercâmbios, Campina Grande aprendeu a crescer por si mesma. Nestes 65 anos de idas e vindas, abordando os da minha geração ou os de hoje, nunca perguntei “como vai” para não ouvir “tudo bem”. Aprendemos  com os  tropeiros, partilhando a farinha seca pura ou Aprendemos  com os tropeiros, partilhando a farinha seca pura ou requeijão”.

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