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terça-feira, 10 de março de 2015

'É muita gente sujando', reclama jornalista que cata lixo em praia da PB

Jornalista cata lixo voluntariamente nas praias.

Lixo orgânico pode contaminar o solo e os rios, alertam especialistas.

Krystine CarneiroDo G1 PB
Placa não intimida quem descarta lixo em lugares inadequados (Foto: Krystine Carneiro/G1)Placa não intimida quem descarta lixo em lugares inadequados (Foto: Krystine Carneiro/G1)
Ao se sentir incomodada com o lixo acumulado nas areias das praias de João Pessoa, a jornalista Ruth Avelino se tornou, há 8 anos, uma catadora de lixo voluntária. A inquietação apareceu durante suas caminhadas matinais. Depois disso, ela passou a levar um saco plástico de casa para recolher o lixo descartado inadequadamente por frequentadores da praia.
Ruth cata lixo na praia durante caminhada há 8 anos (Foto: Cecília Avelino/Acervo Pessoal)Ruth cata lixo na praia durante caminhada há 8
anos (Foto: Cecília Avelino/Acervo Pessoal)
“Às vezes tem tanto lixo que esvazio a sacola umas três ou quatro vezes nas papeleiras e volto para catar mais. E eu não sou a única, tem muita gente que faz isso também”, explicou Ruth, que já chegou a encontrar roupas e colchões e até carcaça de geladeira e sacolas com identificação da União Soviética e da África nas areias por onde caminha. “Acredito que a tripulação dos navios joga em alto mar e a correnteza traz para a margem. Mas o que mais me revolta mesmo é fralda de bebê”, relatou.

A Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur) informou que coleta aproximadamente 700 toneladas de lixo por dia em João Pessoa. A cidade dispõe de cerca de 1.100 papeleiras, além de outros equipamentos instalados com a mesma função (como cestos, lixeiras, contentores, caçambas e manilhas) para que o lixo possa ser descartado corretamente. O órgão ainda garante que nos próximos meses vai usar equipamentos em estoque e adquirir novos para serem instalados em vários pontos da cidade de acordo com as demandas.

“Tenho que reconhecer que o trabalho da Emlur é muito eficiente. O problema é que não dá conta porque é muita gente sujando e pouca gente limpando. É preciso ter um mínimo de consciência e de educação. Não precisa limpar como eu, se você não sujar já é uma grande contribuição”, recomendou Ruth Avelino.
Segundo o chefe da Divisão de Fiscalização da Secretaria de Meio Ambiente (Semam), Waldir Diniz, jogar lixo na rua, qualquer que seja o tipo, é prejudicial para o meio ambiente. “O lixo entope as galerias pluviais. Se for descartado próximo a rios, pode causar o assoriamento e, se for de hospital, pode causar a mortandade dos animais e de toda a flora desse rio”, enumerou.
Apesar da crença popular de que lixo orgânico não prejudica o meio ambiente, Waldir explica que esse tipo de material produz o chorume, líquido que é tóxico tanto para o solo quanto para os rios. “Por isso que no aterro sanitário o chorume é isolado para não entrar em contato com o solo”, explicou.
Mesmo sem produzir chorume, os plásticos e metais também causam problemas. Eles demoram mais a se decompor e vão para os rios. “É um material que devia ser reciclado, mas muitos animais acabam se alimentando deles sem saber”, exemplificou.
O acúmulo desse lixo nas galerias pluviais ainda pode gerar inundações. “Quando há chuva, como a galeria está tampada, essa água, em vez de fluir normalmente, retorna e causa o alagamento”, comentou. “O ideal é esperar pela coleta e não jogar lixo na rua, nem em terrenos baldios, nem em rios. Porque isso vai prejudicar até a eles mesmos, que moram no entorno de onde o lixo foi descartado”, destaca.
Lixo jogado em terrenos baldios pode causar inundações ou contaminação do solo (Foto: Krystine Carneiro/G1)Lixo jogado em terrenos baldios pode causar inundações ou contaminação do solo (Foto: Krystine Carneiro/G1)
Denúncias
O cidadão que encontrar lixo descartado em lugar inadequado pode entrar em contato com a Emlur para fazer a denúncia por meio do Alô Limpinho, nos telefones (83) 3214-7628  ou 0800 083 2425. O órgão também faz recolhimento de poda, metralha, limpeza de terreno e “cata-treco”, para buscar móveis velhos na casa do cidadão.

Segundo a coordenadora de Teleatendimento da Emlur, Magda Cavalcanti, o tempo de atendimento varia de acordo com o serviço. “Para recolhimento de poda e lixo, o atendimento pode acontecer em até sete dias úteis e limpeza de terreno, em até 15 dias úteis”, esclareceu.

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