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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Conselho acusa médico de negligência por não atender mulher, que morreu na PB

Comissão do Conselho Municipal de Saúde de Patos foi escalada para reunir informações com os envolvidos no caso e optou por atribuir culpa ao médico; inquérito policial ainda não foi concluído

Cidades | Em 11/12/14 às 21h02, atualizado em 11/12/14 às 21h23 | Por Gustavo Medeiros
Reprodução/Patos Online
Samu em Patos
Um médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do município de Patos, a 307 km de João Pessoa, foi responsabilizado pelo Conselho Municipal de Saúde da cidade, pois teria negado atendimento a uma mulher, que acabou falecendo. O caso ocorreu no dia 6 de novembro, no bairro Matadouro. O médico chegou a ser conduzido pela polícia para prestar esclarecimentos.

Segundo o presidente do Conselho, João Bosco Valadares, a entidade abriu uma sindicância e escalou uma comissão para ouvir a família da vítima, os policiais militares que detiveram o médico, a delegada responsável pelas investigações, o próprio profissional de saúde e a direção do Samu.

“Nessa cadeia inteira de informações, ele deve ser responsabilizado, pois tinha a autonomia de enviar a ambulância, ação que optou por não realizar”, disse Valadares.

Ainda de acordo com o representante do Conselho, o médico, ao ser indagado sobre os motivos pelos quais teria negado o atendimento, alegou que serviço não deu condições de realizar o trabalho naquele momento.

“Quando ouvimos a direção do Samu, vimos que as declarações não eram verídicas”, contou Valadares, acrescentando que os próximos passos serão finalizar relatório sobre o caso e encaminhar às instituições responsáveis e prestar queixa crime contra o médico no Ministério Público Federal. “Nós não podemos mais assistir fatos como estes acontecerem na saúde pública de Patos”, indignou-se.

Segundo João Bosco, os policiais militares que trabalharam na ocorrência receberão, do Conselho Municipal de Saúde, Comenda de Honra ao Mérito, pois eles, sim, cumpriram com o papel de servidores públicos.

A delegada Daniela Quirino, da Polícia Civil de Patos, profissional responsável pelo prosseguimento das investigações, disse que, no dia, tudo aconteceu muito rápido. Quando a família ligou para o Samu, o médico suspeito passou orientações sobre o uso de medicamentos. A mulher faleceu pouco tempo depois e os parentes entraram em contato com a Polícia Militar, que entrou em ação.

“Ainda não concluímos o inquérito. Solicitamos todos os áudios das ligações, mas estes estavam em má qualidade e retornaram para uma regravação que será feita pela perícia. Ainda estamos aguardando a reunião de todos os documentos necessários para encerramos o caso e vermos se o médico agiu de forma correta ou foi realmente negligente”, disse a delegada, acrescentando que o suspeito foi afastado do trabalho. 

Ela disse que também aguarda material que será enviado pelo Conselho de Saúde, que, em reunião com a mesma, já apresentava posicionamento contrário à atitude do médico.

O Samu confirmou a exoneração do médico, que foi feita pela Prefeitura Municipal de Patos. A entidade informou que membros do Conselho visitaram as instalações da mesma e constataram que tudo estava dentro dos padrões normais, fato também confirmado por Valadares. 

Com relação às investigações, o Samu disse estar aberto para colaborar com a Justiça e com todos os órgãos responsáveis pela elucidação do caso, ainda não podendo se posicionar de forma favorável ou contrária ao médico.

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