domingo, 17 de agosto de 2014

Coveiros que enterrarão Eduardo Campos sepultaram Miguel Arraes, há nove anos

A difícil missão de quem trabalha há 27 anos com o difícil processo de despedida. Sepultadores dizem que prefeririam assistir ao enterro a enterrar.

Ed Wanderley - Diario de Pernambuco
Publicação: 16/08/2014 05:00 Atualização: 16/08/2014 00:14

Marco Aurélio e Inaldo trabalham no Cemitério de Santo Amaro, no Recife, há 27 anos, votaram em Arraes e Campos e, em ambas as situações, prefeririam não ter sepultado os ex-governadores (Rafael Oliveira/DP/D.A.Press)
Marco Aurélio e Inaldo trabalham no Cemitério de Santo Amaro, no Recife, há 27 anos, votaram em Arraes e Campos e, em ambas as situações, prefeririam não ter sepultado os ex-governadores
Mesma veia política, mesmo dia de morte e mesmos sepultadores. Os profissionais que viram um jovem Eduardo Campos, ainda político em ascensão, chorando a perda do avô, o ex-governador Miguel Arraes, num corredor do Cemitério de Santo Amaro, no Recife, serão aqueles que, agora o enterrarão. Inaldo José da Silva, 59, e Marco Aurélio dos Santos, 51, têm muito em comum: trabalham há 27 anos no local, votaram tanto no avô quanto no neto para os cargos majoritários que ocuparam e não almoçaram nesta quarta-feira (13), quando receberam a notícia do falecimento do presidenciável.

Com o rosto cansado, Inaldo desvia o olhar, fita o céu e diz que o serviço da vez é ruim porque é do “homem que seria presidente”. É “doído”, como diz. “A gente sente também, sabe? Não gosto de enterrar ninguém. Faço porque tenho que fazer e pronto”, conta. A fatídica semana de agosto de 2005, os dois lembram em detalhes. “Um caixão que a gente chama ‘tipo champagne’, de gente ‘importante’. Gente que não acabava mais. Trinta mil pessoas, diziam…”, lembra o mais novo. A mais marcante imagem foi a de um chapéu de palha deixado em cima do caixão, antes de o cobrirem. “Era gente do interior. Gente humilde. Cheios de chapéus, como naquele programa do avô desse de agora”, completa Inaldo.

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