quarta-feira, 23 de julho de 2014

Velório de Ariano será aberto ao público no Palácio do Governo de PE

Fãs poderão prestar últimas homenagens a partir das 23h desta quarta (23).

Antes, familiares participam de cerimônia reservada, no Centro do Recife.

Do G1 PE
Caixão com corpo do escritor chegou à sede do governo estadual por volta das 22h55 (Foto: Vitor Tavares/G1)Caixão com corpo do escritor chegou à sede do governo estadual por volta das 22h55 (Foto: Vitor Tavares/G1)
O velório do escritor Ariano Suassuna será aberto ao público, na noite desta quarta (23), no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual, na Praça da República, Centro do Recife. O dramaturgo e poeta paraibano tinha 87 anos e faleceu por volta das 17h15 da quarta (23), no Hospital Português. Ele estava internado desde a noite de segunda (21) na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde foi submetido a uma cirurgia na mesma noite após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) do tipo hemorrágico. Segundo boletim médico, "o paciente teve uma parada cardíaca provocada pela hipertensão intracraniana".
De acordo com a assessoria de imprensa do escritor, o velório ocorre no Palácio do Campo das Princesas pela relação que Ariano Suassuna teve com a política em Pernambuco, onde chegou a ser secretário no governo Miguel Arraes e assessor especial no governo Eduardo Campos. O local, na área central da capital, também deve facilitar o acesso de fãs e admiradores. O sepultamento está previsto para as 16h da quinta (24), no Cemitério Morada da Paz, na cidade de Paulista, na Região Metropolitana doRecife.
Logo após o anúncio da morte de Ariano, políticos se dirigiram ao Hospital Português, para visitar a família do escritor. Dentre eles, o governador do estado, João Lyra Neto, o prefeito do Recife, Geraldo Julio, e o candidato a Presidência, Eduardo Campos. "Ariano para nós é um tio, um avô, um pai, um amigo, um companheiro, uma referência. É uma lacuna muito grande. [...] Ariano foi daqueles que resistiu nos momentos mais difíceis da cultura brasileira. Hoje é o dia de aplaudir uma vida tão bela como a vida dele", lamentou Campos. O governador de Pernambuco decretou luto oficial de três dias.
Ariano Suassuna. (Foto: Reprodução / TV Globo)Ariano Suassuna faleceu às 17h15 desta quarta, no Hospital Português (Foto: Reprodução / TV Globo)
Internamentos
Em 2013, Ariano foi internado duas vezes. A primeira delas em 21 de agosto, quando sentiu-se mal após sofrer um infarto agudo do miocárdio de pequenas proporções, de acordo com os médicos, e ficou internado na unidade coronária, mas depois foi transferido para um apartamento no hospital. Recebeu alta após seis dias, com recomendação de repouso e nenhuma visita.
Dias depois, um aneurisma cerebral o levou de volta ao hospital. Uma arteriografia foi feita para tratamento e ele saiu da UTI para um apartamento do hospital, de onde recebeu alta seis dias depois da internação, no dia 4 de setembro.
Na noite de segunda-feira (21), Ariano Suassuna deu entrada no hospital e foi operado após o diagnóstico do AVC. A cirurgia foi para a colocação de dois drenos, na tentativa de controlar a pressão intracraniana. Na noite de terça, o quadro dele se agravou, devido a "queda da pressão arterial e pressão intracraniana muito elevada", conforme foi informado em boletim.
Ativo até o fim
Ariano Suassuna nasceu em 16 de junho de 1927, em João Pessoa, e cresceu no Sertão paraibano. Mudou-se com a família para o Recife em 1942. Mesmo com os problemas na saúde, ele permanecia em plena atividade profissional. "No Sertão do Nordeste a morte tem nome, chama-se Caetana. Se ela está pensando em me levar, não pense que vai ser fácil, não. Ela vai suar! Se vier com essas besteirinhas de infarto e aneurisma no cérebro, isso eu tiro de letra", disse ele, em dezembro de 2013, durante a retomada de suas aulas-espetáculo.
Em março deste ano, Ariano foi homenageado pelo maior bloco do mundo, o Galo da Madrugada.  Ele pediu que a decoração fosse feita nas cores do Sport, vermelho e preto, e ficou muito contente com a homenagem. “Eu acho o futebol uma manifestação cultural que tem muitas ligações com o carnaval”, disse, na ocasião.
No mesmo mês, o escritor concedeu uma entrevista à TV Globo Nordeste sobre a finalização de seu novo livro, “O jumento sedutor”. Os manuscritos começaram a ser trabalhados há mais de trinta anos.
Na última sexta-feira, Suassuna apresentou uma aula espetáculo no teatro Luiz Souto Dourado, em Garanhuns, durante o Festival de Inverno. No carnaval do próximo ano, o autor paraibano deve ser homenageado pela escola de samba Unidos de Padre Miguel, do Rio de Janeiro.
Nascido na Paraíba, Ariano Suassuna adotou Pernambuco ainda criança, com a família (Foto: Acervo pessoal / Ariano Suassuna)Nascido na Paraíba, Ariano Suassuna adotou Pernambuco ainda criança, com a família (Foto: Acervo pessoal / Ariano Suassuna)
Obra
A primeira peça do escritor, "Uma mulher vestida de sol", ganhou o prêmio Nicolau Carlos Magno em 1948. Ariano escreveu um de seus maiores clássicos, "O Auto da Compadecida", em 1955, cinco anos depois de se formar em direito. A peça foi apresentada pela primeira vez no Recife, em 1957, no Teatro de Santa Isabel, sem grande sucesso, explodindo nacionalmente apenas quando foi encenada – e ganhou o prêmio – no Festival de Estudantes do Rio de Janeiro, no Teatro Dulcina. A obra é considerada a mais famosa dele, devido às diversas adaptações. Guel Arraes levou o “Auto” à TV e ao cinema em 1999.
O escritor considera que seu melhor livro é o “Romance d'A Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta”. A obra começou a ser produzida em 1958 e levou 12 anos para ficar pronta. Foi adaptada por Luiz Fernando Carvalho e exibida pela Rede Globo em 2007, com o nome de "A pedra do reino".
Na década de 70, Ariano começou a articular o Movimento Armorial, que defendeu a criação de uma arte erudita nordestina a partir de suas raízes populares. Ele também foi membro-fundador do Conselho Nacional de Cultura.
Após 32 anos nas salas de aula, Suassuna se aposentou do cargo de professor da Universidade Federal de Pernambuco, em 1989. O período também ficou marcado pelo reconhecimento nacional do escritor – Ariano tomou posse na cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro, em 1990.
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