sexta-feira, 18 de julho de 2014

DILMA E O EMPATE TÉCNICO


POR NONATO GUEDES

Uma pesquisa do Datafolha revela, pela primeira vez, um empate técnico entre a presidente Dilma Roussseff (PT) e o presidenciável tucano Aécio Neves na hipótese de um segundo turno na eleição mais importante deste ano. A presidente alcançaria 44% das intenções de voto na rodada final contra 40% atribuídos ao neto de Tancredo Neves, se o segundo turno fosse realizado hoje. Na opinião dos especialistas, isto configura uma situação de empate ou de aproximação, levando-se em conta o parâmetro de possível diferença, para mais ou para menos, utilizado nessas pesquisas.
Dilma mantém-se atualmente na liderança com 36%. O que se constata, quando se observa a linearidade de resultados apurados pelo Datafolha, por exemplo, é que a petista experimenta queda livre. Na mesma proporção, o senador do PSDB e ex-governador de Minas Gerais está sempre em posição de avanço. Ele começou com percentuais inexpressivos e foi crescendo de forma vegetativa, ao contrário do socialista Eduardo Campos, que estanca num terceiro lugar sem apresentar uma performance extraordinária. A leitura dos indicadores permite inferir que reproduz-se a polarização entre PT e PSDB, que tem sido mantida desde os tempos em que o ex-presidente Lula ascendeu a presidente da República e igualou-se a Fernando Henrique Cardoso no número de eleições – cada um conquistando duas vitórias para o currículo.
No que diz respeito à presidente Dilma, o que incomoda a sua estratégia de candidata à reeleição é a persistente taxa de rejeição. Neste último levantamento dado a público pelo Datafolha, subiu de 32% para 36% essa taxa de reprovação ao governo da presidente petista ou ao seu modo de administrar. Isto pode configurar, mais na frente, um efeito dominó, com a rejeição puxando para baixo, de forma inexorável, a candidatura petista ao Palácio do Planalto. O flanco, nesse caso, estaria aberto para a penetração dos adversários, especialmente de Aécio Neves, uma vez que Eduardo Campos ainda é a incógnita do páreo com seus números oscilantes. Aécio demonstrou que está conquistando votos cativos ou sólidos, ao contrário de Eduardo.
Qual a interpretação que se pode fazer da situação vulnerável da presidente Dilma, mesmo estando ela, ainda, na linha de frente ou na pole position das pesquisas eleitorais? Além do desgaste inerente a quem está no poder, a presidente tem cometido ações erráticas que mais confundem o cidadão comum do que lhe tranquilizam. A maioria do eleitorado brasileiro é conservadora no sentido de ter o mínimo de conforto ou de segurança quanto ao seu status quo. Não convive bem com solavancos, principalmente na economia, que afeta diretamente o seu bolso. A perspectiva de recaída inflacionária, que tem sido aventada entre analistas de economia, assusta e afasta eleitores. Eles passam a considerar que a conjuntura está se descontrolando e que a condutora do leme, a presidente Dilma, já não inspira confiança no comando. Este é um ponto crucial, que tem sido explorado com certa competência por adversários, tanto por Aécio Neves como por Eduardo Campos. A sensação de medo é um componente que abala qualquer candidatura – mesmo postulações que são potencialmente favoritas, que é o que se dá com o “caso Dilma”.
A lógica recomenda que em situações assim, de extrema indefinição, haja uma reformulação de estratégia e, no seu bojo, um choque – uma reação à altura por parte de quem está em desvantagem. A presidente, sabem todos, quebra cabeça sobre a fórmula mágica para reverter a desvantagem. Seus interlocutores e assessores fazem o mesmo. Mas por enquanto estão limitados a isto – a quebrar cabeça, porque nem de longe descobriram como fazer para mudar um cenário teoricamente desalentador. O ex-presidente Lula deve estar sendo consultado, até em virtude da sua decantada intuição em relação aos humores do eleitorado. O risco que se apresenta é o de que haja muitas sugestões e quase nenhuma solução ou pouco arremedo de solução. Não, a presidente não perdeu a guerra. Mas não é comovente que fique perdendo batalhas.
TÓPICOS
.... O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ricardo Marcelo, está se empenhando ao máximo para que seja cumprida uma agenda razoável de sessões no plenário da Casa durante este segundo semestre, em meio ao desenrolar pleno da campanha eleitoral, que obriga parlamentares a se deslocarem a municípios de sua base de atuação política na caça aos votos. Ricardo Marcelo voltou a acenar com ameaça de corte de ponto ou outras sanções regimentais para os faltosos. Mas o que ele quer mesmo é que haja assiduidade pelo menos nas reuniões tidas como decisivas.
....O deputado federal Luiz Couto, do Partido dos Trabalhadores, não perde tempo e procura intensificar contatos com bases eleitorais no interior do Estado com vistas a pavimentar o terreno para a sua reeleição à Câmara. De certa forma ele foi beneficiado com o deslocamento de Lucélio Cartaxo da disputa de deputado federal para concorrer a uma vaga ao Senado. Com isto, os espaços se ampliaram, já que Lucélio estava na iminência de ser o grande puxador de votos na atual corrida eleitoral.
.... Um dos mais ardorosos defensores da manutenção da aliança do PT com o governador Ricardo Coutinho na eleição passou a ser Jackson Macedo, secretário de Organização do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores no Estado. Ele se mostra revoltado com a pressão do PMDB para a ruptura da aliança PT-PSB. Entende que se trata de uma intromissão indébita de um partido na vida de outra agremiação. “Deixem o PT em paz e procurem seguir seu próprio rumo”, tem ponderado Jackson.
....De acordo com reportagem da revista IstoÉ, as campanhas eleitorais estão cada vez mais caras no país. A previsão de gastos das principais candidaturas à presidência da República este ano, só para se ter uma ideia, é da ordem de R$ 1 bilhão, o que significa um aumento de 100% em relação a 2010. As estruturas de campanha são consideradas portentosas. Os partidos buscam recrutar profissionais especializados, produtoras de tevê, gráficas, bancas de advogados, cabos eleitorais e toda sorte de material e serviço que possam ser usados na batalha pelo voto. Soma-se a isto uma infinidade de gastos não contabilizados. As cifras são bilionárias e não param de crescer, indicando que política é um negócio arriscado, mas altamente lucrativo, aqui.
... A partir do Congresso Nacional, passando por Assembleias Legislativas e representações políticas nos municípios, é cada vez mais crescente o desestímulo de políticos com a atividade que exercem. Além dos custos elevados das campanhas eleitorais, a queixa generalizada diz respeito à aparente inutilidade de um mandato parlamentar. Pelo que dão a entender, muitos políticos não estão se sentindo motivados a ocupar cadeiras em tribunas parlamentares e por isto preferem bater em retirada. Na Paraíba, o deputado estadual Francisco de Assis Quintans, do DEM, um especialista em temas hídricos, já anunciou que estará de fora do confronto em 2014.
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